●• A Pedra do Reino •●

Por junho 12, 2007
A Pedra do Reino foi uma microssérie brasileira produzida pela Rede Globo. Escrita por Luis Alberto de Abreu, Bráulio Tavares e Luiz Fernando Carvalho, teve direção geral e de núcleo de Luiz Fernando Carvalho. A produção foi uma homenagem aos 80 anos do escritor nordestino Ariano Suassuna, autor do livro-base O Romance d'A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta. Foi a primeira produção do Projeto Quadrante, projeto que tenciona transpor clássicos da literatura para a televisão. Estrelando Irandhir Santos, Mayana Neiva, Cacá Carvalho, Frank Menezes, Jackson Costa, Millene Ramalho, Frank Menezes, Luiz Carlos Vasconcelos e Paulo César Ferreira nos papeis principais. Exibida de 12 a 16 de junho 2007, em 5 capítulos.

●• SINOPSE •●

O poeta-escrivão D. Pedro Dinis Ferreira Quaderna recorre a seus antepassados e a suas memórias para lidar com suas inquietações existenciais. Quaderna sonha ser o Grande Gênio da Raça, o autor de uma grande obra literária que expresse a verdadeira identidade nacional. Para tal, ele usa a imaginação para dar novo colorido à realidade. Quaderna é bisneto de João Ferreira Quaderna, o Execrável, real líder sebastianista que se proclamou legítimo rei do Brasil e causou a morte de muitos fiéis. Tudo em nome da ressurreição de Dom Sebastião, o rei português desaparecido em 1578, aos 24 anos, na batalha entre mouros e cristãos em Alcácer-Quibir, no Marrocos. O derramamento de sangue orquestrado por João Ferreira se deu em 1838, aos pés de duas rochas compridas e paralelas, conhecidas como Pedra Bonita – nome primitivo da Pedra do Reino –, na região de São José do Belmonte, em Pernambuco. Sua seita, formada por fanáticos religiosos, defendia que aquelas eram as torres da catedral do reino de Dom Sebastião, que seriam desencantadas com o sangue de sacrifícios humanos. Após muitas mortes, os fanáticos foram presos ou mortos pela polícia. Quaderna junta a história de seu bisavô a outro acontecimento trágico – a misteriosa morte de seu tio-padrinho, o rico fazendeiro D. Pedro Sebastião Garcia-Barreto, considerado por ele um pai. Quaderna é afilhado e sobrinho de Dom Pedro Sebastião por parte de mãe, Maria Sulpícia. Em suas pesquisas, conclui que suas duas famílias remontam ao mesmo rei: Dom Sebastião, de Portugal. Influenciado pelas histórias de realeza e pela cultura sertaneja em que foi criado, tendo convivido com cantadores, poetas populares, folguedos e cavalhadas do sertão, Quaderna passa a sonhar com um novo reino. Ele vai à Pedra do Reino e se coroa rei, herdeiro legítimo do trono do sertão e do Brasil, e dá início ao projeto de sua grande obra.

Quaderna pretende juntar referências eruditas, políticas e intelectuais em seu projeto literário. Para tanto, mescla conhecimentos sobre genealogia, astrologia e cultura popular – herdados de seu pai, Pedro Justino, e do violeiro e poeta João Melchíades – com as ideias políticas e literárias de seus dois mentores, o revolucionário comunista Clemente Ravasco e o monarquista conservador Samuel Wandernes. Quaderna funda com seus dois mentores a Academia dos Emparedados do Sertão da Paraíba, integrada apenas pelos três. Influenciado pelas diferentes vertentes políticas e culturais, passa a se intitular “monarquista de esquerda”. E, em sua busca pela real identidade do Brasil, defende que a verdadeira base do povo brasileiro está na miscigenação dos povos europeu, africano e indígena. Longe de ser um problema, o interrogatório acaba sendo a solução para que Quaderna  escreva sua obra. Por causa do “cotoco”, uma proeminência óssea no final de sua coluna, ele não pode ficar sentado por muito tempo, dedicado à redação de sua epopeia. Uma vez no inquérito, conta, em pé, todos os acontecimentos relacionados à sua vida. Seu depoimento é datilografado pela escrivã Margarida, moça pura e recatada da alta sociedade taperoaense. Quaderna sente atração por Margarida, mas é, inicialmente, repelido por ela. A escrivã só sucumbe às investidas do depoente após ouvir relatos maliciosos que a excitam. A máquina de escrever acaba unindo os dois personagens, pois é ela que registra as memórias que Quaderna sonha transformar em livro. Com o depoimento escrito, ele pode, enfim, fazer a obra do Gênio da Raça e concluí-la antes de seus dois concorrentes, Clemente e Samuel, que também desejam o título. Quaderna foi preso, em 1938, acusado de participar de uma rebelião popular, ocorrida três anos antes. Na ocasião, a cidade de Taperoá foi invadida por uma cavalgada de ciganos, comandada pelo Doutor Pedro Gouveia e acompanhada pelo frei Simão, um misto de frade e cangaceiro, e por Luís do Triângulo, guerreiro da guerra civil de Princesa, ocorrida em 1930. A cavalgada conduzia um jovem montado em um cavalo branco: Sinésio, o Alumioso, filho de D. Pedro Sebastião, dado como morto. O grupo, no entanto, é emboscado, às portas da cidade, pelo bando de cangaceiros de Ludugero Cobra-Preta. Todos acreditam que a armadilha foi armada a mando de Arésio, meio-irmão de Sinésio, com quem ele não queria dividir a herança deixada pelo pai. Quaderna é intimado devido a uma carta anônima endereçada ao Juiz Corregedor da capital, que o acusa de envolvimento nos acontecimentos, considerados uma insurreição popular. Afinal, vivia-se um clima político carregado, com a Revolução de 1930, a Revolução Comunista de 1935 e o golpe do Estado Novo, em 1937.

Acontecimentos anteriores a 1930, como a prisão de Quaderna, quando Dom Pedro Sebastião Garcia-Barreto – pai de Arésio, fruto do primeiro casamento; de Silvestre, filho bastardo; e de Sinésio, filho do segundo casamento – dá a Quaderna a missão de conduzir o filho caçula à capital da Paraíba, onde ficaria em segurança na casa do sócio Edmundo Swendson. D. Pedro Sebastião participara da Revolução de 1930, deflagrada contra o presidente do Estado da Paraíba, em João Pessoa, e considera prudente afastar o filho da cidade. É na casa do sócio de seu pai que Sinésio conhece Heliana Swendson, por quem se apaixona. No mesmo ano, porém, D. Pedro Sebastião é apunhalado e morto de forma misteriosa, em um pequeno quarto sem janelas, na torre de sua fazenda, com a porta trancada por dentro. Sinésio desaparece sem deixar rastro, e Silvestre perde-se pelos caminhos do sertão, vivendo como guia do rabequeiro Pedro Cego e empreendendo uma busca incessante por Sinésio. Em seus últimos anos de vida, D. Pedro Sebastião estava se tornando cada vez mais misterioso: encomendava escavações e dizia ter encontrado um tesouro escondido. Chegou a preparar um mapa do tesouro, prometendo a Quaderna que lhe revelaria sua localização, mas morreu antes disso. Conhecido como “o príncipe do povo e do sangue do vai-e-volta”, Sinésio ressurge cinco anos depois, em 1935, na tal cavalgada, no momento em que Arésio receberia toda a herança do pai, depois dos anos de interdição, em função do desaparecimento tanto do testamento quanto do filho caçula. A cidade se divide entre os mais abastados, que tomam o partido de Arésio, e o povo, que adere a Sinésio. Ao ver o “príncipe” ressuscitado, a população acredita que ele é a encarnação do rei Dom Sebastião de Portugal, que teria voltado para instaurar seu reino mítico, representando a redenção de todo o povo pobre sertanejo. Instaura-se o conflito, com emboscadas e tiros entre os partidários dos dois filhos de Dom Pedro. No longo depoimento prestado ao Juiz Corregedor, Quaderna desfia os acontecimentos relacionados à sua história, entre eles o sangrento movimento messiânico de seus antepassados na Pedra do Reino; a infância na fazenda de seu padrinho; a formação religiosa no seminário da Paraíba, de onde foi expulso quando expôs suas ideias sobre o inusitado catolicismo-sertanejo, religião regada a mulheres e vinho; e os encontros amorosos com Maria Safira, a esposa de Pedro Beato – velho sábio e penitente que nunca tocou o corpo da mulher. Foi Safira, mulher tida como possessa, quem salvou Quaderna dos efeitos do “chá de cardina”. A tal bebida lhe era dada por seu pai na adolescência para “abrir” a inteligência, mas prejudicava sua virilidade. Quaderna também relata suas estranhas visões de personagens míticos, como a Moça Caetana, com dorso felino de onça e pescoço envolto em uma cobra coral que lhe serve de colar. É uma mensageira da Morte, assim como a Onça Caetana, mistura de bicho-fêmea e mulher, que exerce um fascínio próprio de sua divindade. Além disso, Quaderna também discorre sobre o misterioso mapa do tesouro, a morte do padrinho, o desaparecimento de Sinésio e a associação entre o primogênito Arésio e o maior inimigo de seu pai em vida, o usineiro Antônio de Moraes.

Ao final do inquérito, o Juiz, irritado com o intimado – que mistura informações reais e formulações eruditas com lendas, relatos, crenças e superstições populares –, considera-o louco e o liberta. Mas Quaderna pede-lhe que continue preso, confessando que foi ele próprio quem escreveu a denúncia anônima para ser encarcerado e poder se utilizar do depoimento datilografado para escrever sua saga. O Juiz satisfaz o desejo de Quaderna e o coloca na prisão. Lá, ele escreve sua história. E, já bem envelhecido, como que inserido em um sonho, é sagrado rei da Távola Redonda da Literatura do Brasil por poetas, escritores e acadêmicos do Brasil e do mundo, entre eles Shakespeare, Cervantes, Arthur Azevedo e Olavo Bilac. Samuel Wandernes é um promotor de justiça, fidalgo dos engenhos do Recife, apaixonado pela aristocracia e pelos brasões armoriais. Ele sustenta que a família Garcia-Barreto tem origem no próprio rei Dom Sebastião de Portugal, que, após escapar da morte na batalha contra os mouros, teria vindo incógnito para o Brasil. Direitista, Samuel declara fidelidade a Plínio Salgado, o fundador do movimento ultranacionalista Ação Integralista Brasileira. Já Clemente Ravasco é um advogado e historiador negro-tapuia, que foi professor de Quaderna na infância. Como esquerdista e partidário do líder comunista Luís Carlos Prestes, sonha com revoluções como as de Zumbi dos Palmares e a que o líder religioso Antônio Conselheiro empreendeu em Canudos, no interior da Bahia. Companheiros e eternos adversários, ele e Samuel se desentendem constantemente, mas não conseguem ficar afastados um do outro. Muitos outros personagens aparecem nos relatos de Quaderna, como o idealista e visionário Adalberto Coura, jovem revolucionário que tenta convencer Arésio a usar sua ferocidade e personalidade dominadora a favor da Revolução Socialista. Mas, embora despreze as autoridades, Arésio é um individualista, contrário às teorias revolucionárias. No meio dos dois está a jovem Maria Inominata, noiva de Adalberto e antiga paixão de Arésio. Na narração de Quaderna também aparecem Clara Swendson e Gustavo de Moraes, filhos de Edmundo Swendson e Antonio de Moraes, adversários nas atividades econômicas e políticas. Os dois jovens são a favor de um “embranquecimento” da raça humana e fazem um pacto de amor casto, em uma alusão ao nazifascismo. Outro personagem destacado por Quaderna é o violeiro Lino Pedra-Verde, seu amigo de infância, acostumado a ter visões desde menino. Suas premonições se agravaram depois que passou a mascar erva-moura e beber o vinho encantado da Pedra do Reino, cuja receita foi descoberta por Quaderna.

●• ELENCO •●
  • Irandhir Santos como Dom Pedro Diniz Quaderna
  • Abdias Campos - João Melchíades Ferreira da Silva
  • Allyne Pereira - Diná me Dói
  • Américo Oliveira - Argemiro
  • Anthero Montenegro - Gustavo de Moraes
  • Beatriz Lélis - Mãe
  • Claudete Andrade - Joana Quaderna Garcia-Barreto
  • Elias Mendonça - Dom Ezequiel Veras
  • Everaldo Pontes - Pedro Beato
  • Flávio Rocha - Lino Pedra Verde
  • Frank dos Santos - Leônidas/Shakespeare
  • Germano Haiut - Edmundo Swendson
  • Hilda Torres - Genoveva Moraes
  • Iziane Mascarenhas - Clara Swendson/Isabel
  • João Ferreira - Velho Nazário
  • João Irênio - Arthur Azevedo
  • Jones Melo - Antônio de Moraes
  • Júlio César - Dr. Pedro Gouveia
  • Jyokonda Rocha - Onça Caetana/Maria Inominata
  • Lázaro Machado - Ludugero Cobra-Preta
  • Luiz Carneiro - Bastião
  • Maneol Constantino - Dom Manoel Viana
  • Márcio Tadeu - Frei Simão
  • Maurício Castro - Cervantes
  • Mayana Neiva - Heliana/Moça Caetana
  • Mestre Salustiano - Pedro Cego
  • Millene Ramalho - Margarida
  • Moisés Gonçalves - Pedro Justino Quaderna
  • Nelson Lima - Severino Brejeiro
  • Nill de Pádua - Malaquias/Dom João Ferreira Quaderna
  • Paulo César Ferreira - Sinésio
  • Pedro Henrique Dias - Dom Pedro Sebastião Garcia-Barreto
  • Pedro Salustiano - Rei Azul
  • Prazeres Barbosa - Comendador Basílio Monteiro/Dom Eusébio Monturo
  • Sandra Belê - Maria do Badalo
  • Servílio de Holanda - Silvestre
  • Soia Lira - Dona Carmem Torres Martins
  • Tavinho Teixeira - Luís do Triângulo/Olavo Bilac
  • Tay Lopez - Adalberto Coura 
  • Vanderléia Pimenta - Maria Sulpícia
●• ATORES CONVIDADOS •●
  • Frank Menezes - Samuel Wandernes
  • Jackson Costa - Clemente Ravasco
  • Jessier Quirino - Euclydes Villar 
  • Luiz Carlos Vasconcelos - Arésio
●• ATRIZES CONVIDADAS •●
  • Marcélia Cartaxo - Tia Filipa Quaderna 
  • Renata Rosa - Maria Safira
●• AS CRIANÇAS •●
  • Felipe Rodrigues - Quaderna (criança)
  • Jéssica Araújo - Rosa 
  • Vanderson Taveira - Arésio (criança)
  • Cacá Carvalho como Juiz Corregedor
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